Cenário


A atividade siderúrgica, em 2004, foi impactada por um boom de crescimento do mercado internacional, superando-se, pela primeira vez na história, a marca de produção anual de um bilhão de toneladas de aço.


Produção Mundial de Aço por Região - 2004 (milhões de toneladas)
Essa inédita situação decorreu da conjugação de um crescimento econômico generalizado no mundo com a manutenção da taxa excepcional de crescimento da China e a consolidação do setor siderúrgico mundial.

Mesmo com a redução das importações chinesas em relação ao ano anterior, esses volumes foram substancialmente altos no momento em que a disponibilidade para oferta externa era pressionada pelas demais economias em crescimento.

Mais do que em outros momentos, a participação da China teve impacto significativo no mercado internacional, refletindo-se simultaneamente nos preços das matérias-primas, dos insumos siderúrgicos e dos fretes marítimos e, por desdobramento, nos preços finais do aço.

No caso específico do carvão metalúrgico, a China passou da condição de forte exportadora para importadora, exatamente num ano em que se registrava redução na oferta mundial devido a alguns acidentes em minas de carvão. Isso afetou de maneira relevante o mercado internacional desse estratégico insumo para a indústria do aço, gerando, inclusive, problemas de suprimento para muitas usinas siderúrgicas – o que não foi o caso da CST, que não precisou ir ao mercado spot para garantir seu abastecimento regular.

A coexistência desse conjunto de fatores macro e microeconômicos, em nível sem precedentes, criou condições propícias para a sustentação do atual ciclo de alta de preços do mercado internacional de produtos siderúrgicos que se iniciou no terceiro trimestre de 2002 e foi acentuado a partir do final de 2003.

O processo de consolidação da siderurgia mundial também teve seus efeitos anuais sentidos em 2004, observando-se uma menor volatilidade de preços no mercado em decorrência da redução do número de players na Europa, na Ásia e, mais recentemente, nos Estados Unidos. Esse movimento torna-se ainda mais relevante e positivo à medida que avança o processo de privatização de empresas, principalmente no Leste Europeu.

Nesse novo patamar de preços estabelecido na siderurgia mundial, a elevação dos custos dos fretes marítimos – decorrente da incapacidade atual da frota marítima de atender ao aumento do comércio internacional – teve como desdobramento imediato um certo isolamento continental, com redução de competição entre os produtores de aço. Essa “regionalização” dos mercados afeta, sobretudo, as exportações de produtos finais, especialmente daqueles que exigem condições especiais de transporte e estocagem.

O Brasil, com a retomada do crescimento econômico,também propiciou em 2004 condições bastante favoráveis à indústria siderúrgica, com o aumento expressivo da demanda de aço.

Produção Mundial de Aço e Produção Brasileira de Laminados
(milhões de toneladas)

DADOS DE PRODUÇÃO 2003 2004 %
Produção Mundial de Aço Bruto 951 1.036 9
    1° - China 221 273 23
    2° - Japão 111 113 2
    3° - Estados Unidos 94 99 5
    8° - Brasil 31 33 6
    Outros Países 494 518 5
Produção Brasileira de Laminados 21 23 11
    Laminados Planos 13 14 9
    Laminados Longos 8 9 13
    Placas 5 5 (12)

A produção brasileira de aço bruto no ano foi recorde, totalizando 32,9 milhões de toneladas, com um crescimento de 5,8% em relação ao ano anterior. As vendas internas de produtos siderúrgicos somaram 17,2 milhões de toneladas, e o faturamento global do setor, incluindo as exportações, alcançou a marca histórica de R$ 50 bilhões – contra R$ 35 bilhões em 2003. Destaque-se, nesse contexto, a recuperação das vendas de produtos laminados no mercado doméstico e, em especial, o aumento de 13,7% nas vendas domésticas de laminados planos – foco do negócio da CST.

São poucas as perspectivas de mudança de cenário a curto prazo na siderurgia mundial. Estamos convencidos de que os preços dos produtos siderúrgicos, bem como os das matérias-primas e insumos, mesmo que possam apresentar algum recuo no médio prazo, não deverão retornar aos patamares do passado.

A demanda internacional de produtos siderúrgicos deverá continuar em alta, como decorrência da manutenção de elevadas taxas de crescimento nas principais economias.

Igualmente, a demanda interna deverá continuar crescendo, alavancada pela consolidação do crescimento econômico brasileiro, projetando-se uma taxa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2005 similar à de 2004, na faixa de 4%.

Esse crescimento da atividade econômica no país deverá ocorre ao amparo da rígida política monetária que vem sendo adotada pelo governo, centrada na prática de uma taxa de juros elevada visando manter a inflação brasileira sob controle.

Ao que tudo indica, o desempenho da balança comercial do país, que tem relação direta com a estabilidade cambial, deverá manter-se positivo em 2005, embora deva ser mais modesto que o de 2004, quando foi recorde, impulsionado especialmente pelos preços das commodities no mercado internacional. Essa redução será resultante do aumento do consumo interno, do crescimento das importações e de previsível queda de preços das commodities agrícolas.

Apesar da forte valorização do real, no final de 2004, acreditamos que esse não deverá ser um movimento sustentável, prevendo-se a conservação da paridade do poder de compra da moeda brasileira em relação ao dólar norteamericano, o que assegura a sustentabilidade competitiva das empresas brasileiras nos mercados internacionais.

Igualmente, acreditamos não haver sinais dentro da economia brasileira que justifiquem uma surpresa em relação às taxas de câmbio em 2005. A permanência do capital estrangeiro, o desempenho positivo da balança comercial e a trajetória de queda da dívida externa são bases para a estabilidade da moeda. Nessa conjuntura, o câmbio tende a não ser pressionado, podendo-se desconsiderar o risco de uma forte flutuação cambial no ano.

Um risco que deve ser considerado é a possibilidade de o dólar norte-americano não se recupera frente às demais moedas. A continuidade de sua desvalorização – inevitável caso os principais bancos centrais decidam reduzir as suas reservas da moeda – alteraria, de forma não mensurável, as condições envolvendo os negócios internacionais, com desdobramentos na variação cambial no país.